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Angicos,22/04/2026

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Contagem das urnas no Peru completa dez dias sem resultado, e chefe eleitoral renuncia; entenda demora

g1.globo.com
Contagem das urnas no Peru completa dez dias sem resultado, e chefe eleitoral renuncia; entenda demora


À esquerda, Roberto Sánchez, representante de uma coalizão de esquerda; à direita, Rafael López Aliaga, expoente da direita conservadora
Montagem
A contagem dos votos das eleições presidenciais no Peru chegou ao décimo dia sem definição sobre quem disputará o segundo turno, marcado para 7 de junho. Em meio à demora, o chefe do órgão responsável pelo processo eleitoral renunciou, e novas tensões políticas ampliaram a crise no país.
Segundo o Júri Nacional de Eleições (JNE), os resultados finais só devem ser anunciados a partir de 15 de maio.
A única candidata já garantida na segunda etapa é Keiko Fujimori. A disputa pela segunda vaga segue acirrada entre o esquerdista Roberto Sánchez e o ultraconservador Rafael López Aliaga, separados por cerca de 14 mil a 15 mil votos, com aproximadamente 94% das urnas apuradas.
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Por que a apuração está demorando?
Um número elevado das atas restantes apresenta irregularidades e devem ser examinadas pelos juízes eleitorais. O problema representa quase um milhão de votos distribuídos em 5.143 atas, segundo a autoridade eleitoral.
Esses documentos precisam ser revisados individualmente por juízes eleitorais.
"Geralmente o processo de revisão de cada ata leva quase três dias", declarou à AFP Yessica Clavijo, secretária-geral do JNE.
A complexidade também aumentou porque os eleitores votaram simultaneamente em cinco eleições diferentes, o que multiplicou o volume de dados a serem conferidos.
Especialistas apontam ainda que, em disputas apertadas, é comum que partidos apresentem contestações em massa, inclusive em regiões onde tiveram menos votos, como estratégia para atrasar a apuração e tentar reverter resultados.
"O objetivo das impugnações em massa, inclusive em zonas onde o candidato que reclama está em desvantagem, é tirar votos do adversário e alongar todo o processo", disse à AFP o cientista político Fernando Tuesta.
As atas podem ser contestadas por diversos tipos de erros, como inconsistências nos números ou dados incompletos ou ilegíveis, algo comum em uma votação recorde com 35 candidatos e cinco eleições simultâneas. Quando as anomalias não podem ser corrigidas, a lei prevê uma recontagem de votos em vez da anulação das atas.
Irregularidades e suspeitas
O processo eleitoral também foi marcado por falhas logísticas e episódios que aumentaram a desconfiança pública.
Houve atraso na entrega de materiais eleitorais, o que impediu cerca de 50 mil pessoas de votar no dia oficial e forçou a extensão da votação por mais 24 horas — uma medida inédita no país.
Além disso, cerca de 1.200 cédulas foram encontradas em um contêiner de lixo em Lima, o que levou o Ministério Público a abrir investigações e realizar buscas em instalações do órgão responsável pelas eleições.
Apesar das denúncias, missões internacionais de observação, como a da União Europeia, afirmaram não haver provas concretas de fraude, embora tenham apontado “falhas graves” no processo.
Chefe eleitoral renuncia em meio à crise
A pressão política culminou na renúncia de Piero Corvetto, chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), responsável pela organização da votação.
Ele deixou o cargo pouco antes de prestar depoimento ao Ministério Público sobre as irregularidades registradas no primeiro turno.
Em carta, Corvetto afirmou que sua saída busca garantir maior confiança pública no processo eleitoral antes do segundo turno. Ele classificou os problemas como “técnicos e operacionais”, especialmente na distribuição de materiais em Lima.
A renúncia foi recebida de forma divergente pelos principais grupos políticos: enquanto aliados de Fujimori comemoraram, partidos ligados a Sánchez criticaram o que chamaram de tentativa de criar uma narrativa de fraude.
Já aliados de López Aliaga reforçaram acusações de falta de transparência no processo eleitoral.
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Sem provas de fraude, mas com tensão crescente
Apesar das acusações, não há evidências objetivas de fraude eleitoral até o momento. Ainda assim, López Aliaga chegou a pedir a anulação do pleito, hipótese considerada improvável pela legislação peruana.
A lei só permite anulação em casos extremos, quando votos inválidos superam dois terços do total — cenário que não se aplica à atual eleição.
A crise ocorre em um contexto de instabilidade política crônica no Peru, que teve oito presidentes em apenas dez anos, o que contribui para o clima de desconfiança nas instituições.
Dois ministros renunciam e ampliam crise política
Em meio à demora na apuração, a crise política ganhou novos capítulos nesta quarta-feira (22), com a renúncia de integrantes do governo.
O ministro da Defesa, Carlos Díaz, deixou o cargo após a decisão do presidente interino, José Balcázar, de adiar a compra de caças F-16 dos Estados Unidos.
A saída de integrantes do alto escalão, somada à indefinição eleitoral, amplia a instabilidade no país às vésperas da definição do segundo turno.




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