Seja bem-vindo
Angicos,22/04/2026

  • A +
  • A -
Publicidade

Amigos atravessam continente africano em carro de três rodas em busca de terem seus nomes no livro dos recordes

g1.globo.com
Amigos atravessam continente africano em carro de três rodas em busca de terem seus nomes no livro dos recordes


Oliver Jenks posa com o Reliant Robin apelidado de 'Sheila, o triciclo', que ele e Seth Scott dirigiram de Londres à Cidade do Cabo.
Nardus Engelbrecht/AP
Dois amigos transformaram uma ideia absurda em uma tentativa de recorde: atravessaram a África dirigindo um carro antigo de três rodas.
O inglês Ollie Jenks conta que topou na hora quando ouviu a proposta do canadense Seth Scott.
“Era tão ridícula que eu não podia dizer não”, disse.
O plano era sair de Londres e chegar ao extremo sul da África, em uma viagem de cerca de 22,5 mil quilômetros, passando por 22 países. O objetivo: estabelecer o recorde de maior trajeto já feito com um veículo de três rodas.
O carro escolhido foi um Reliant Robin, modelo britânico conhecido no Reino Unido por ser simples e pouco potente — feito, nas palavras de Jenks, para “ir ao mercado e voltar” nos anos 1970.
Apesar do status cult, o modelo está longe de ser ideal para encarar florestas tropicais, montanhas e desertos africanos. E foi justamente isso que motivou a dupla.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Sheila, o carro improvável
Batizado de Sheila, o carro prateado — um dos últimos da linha — foi comprado especialmente para a aventura.
Jenks e Scott partiram em outubro, levando combustível e suprimentos básicos no pequeno teto do veículo, além de uma boa dose de esperança.
“Sem direção hidráulica, sem ar-condicionado e ruim tanto para subir quanto para descer ladeiras. É o carro mais inadequado possível para qualquer viagem”, disse Jenks.
Mesmo assim, eles ignoraram os conselhos e seguiram viagem. O trajeto durou mais de quatro meses e custou entre US$ 40 mil e US$ 50 mil, com ajuda de patrocinadores e financiamento coletivo.
A jornada foi registrada em uma página no Instagram que reuniu quase 100 mil seguidores, com o título: “14 mil milhas, 3 rodas, 0 bom senso”.
Golpes, ataques e perigos na estrada
Durante a travessia, a dupla enfrentou situações extremas.
Chegaram ao Benin durante uma tentativa de golpe de Estado. Passaram pelo norte da Nigéria enquanto os Estados Unidos realizavam ataques aéreos contra alvos do Estado Islâmico.
Em Camarões, receberam escolta militar por cerca de 480 quilômetros em uma região marcada por conflitos separatistas.
“Imagina esse carro em um comboio militar”, disse Jenks.
Também houve sustos no trânsito. Em um deles, um ônibus quase esmagou o carro contra um penhasco no Congo.
Quebras e improvisos
Os problemas mecânicos foram constantes.
Logo nas primeiras semanas, Sheila precisou trocar as molas da roda. Em Gana, o câmbio quebrou, deixando o carro apenas com a quarta marcha. Em Camarões, surgiram falhas na embreagem e no distribuidor — até que o motor simplesmente parou.
A viagem só continuou graças à ajuda de desconhecidos.
Um homem providenciou um novo câmbio para Gana. Entusiastas do modelo no Reino Unido ajudaram a enviar outro motor para Camarões.
Em um dos episódios, o carro foi colocado em um caminhão de gado para ser levado até uma oficina. Mecânicos ao longo do caminho consertaram Sheila com ferramentas improvisadas, muitas vezes sem acreditar no que estavam vendo.
Paisagens e recompensas
Nem tudo foi dificuldade.
O carro cruzou cadeias de montanhas e desertos impressionantes. Em um safári, rodou ao lado de girafas, avistou rinocerontes e posou para fotos perto de um elefante.
Mais de 120 dias após a partida, a dupla chegou à Cidade do Cabo no mês passado.
O motor já dava sinais de superaquecimento no deserto da Namíbia e quase não resistiu aos últimos 1.600 quilômetros.
Final improvável
Para quem acompanhou a jornada, a história virou símbolo de persistência.
“É uma grande história de azarões. Tem um lado cômico, mas também muita admiração. Eles tiveram uma determinação enorme”, disse o sul-africano Graeme Hurst.
Na África do Sul, Sheila foi exibida temporariamente em um showroom de carros de luxo, chamando mais atenção que modelos de marcas como Porsche e Mercedes — mesmo com janela quebrada, para-brisa manchado, rodas tortas e várias marcas de desgaste.
Agora, o carro será restaurado. Depois, seguirá até o Quênia, de onde será enviado de navio para a Turquia. A última etapa será o retorno ao Reino Unido, onde deve ganhar um lugar no London Transport Museum.
Jenks diz que se sentiu vitorioso ao chegar ao destino — mas também aliviado.
“Era como dirigir um caixão motorizado”, afirmou.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.