Por que o RN quebra e os políticos sobram?
Uma conversa franca com Marcos Loló sobre o custo da realidade
O povo do Rio Grande do Norte tem memória e, principalmente, tem cicatrizes. Falar do governo Robinson Faria em qualquer roda de conversa é, invariavelmente, esbarrar no debate sobre folhas de pagamento e serviços públicos sob pressão. Mas, na residência de Marcos Loló, o tom não é de desculpa ou nostalgia. É diagnóstico puro e duro.
Longe do romantismo de quem assiste à política apenas pelas notificações do celular, Loló analisa o Estado como quem olha para um motor batido. Sentado com a calma de quem opera nos bastidores há décadas, ele não foge do desconforto.
"É muito fácil para a turma culpar o motorista quando o dono anterior entregou o caminhão sem óleo, com o chassi empenado e os pneus carecas," afirma Loló, enquanto observa o tabuleiro político se desenhar. "Robinson não herdou um governo; ele herdou uma insolvência previdenciária e a pior recessão da história do país. Ele foi o para-choque de uma máquina que já estava programada para quebrar."
A tese de Loló — compartilhada pelo prefeito de Lajes, Felipe Menezes, e por empresários de visão como Canindé Moral e Ivan de França — é baseada em uma lógica de mercado: a experiência no caos vale mais do que a promessa na bonança.
Para este grupo, o apoio a Robinson para a Câmara Federal não é um salvo-conduto para o passado, mas uma chave de ignição para o futuro. A percepção é que Brasília não é lugar para "gestores de vitrine" ou aventureiros que travam ao primeiro sinal de burocracia. No xadrez federal, onde o RN precisa desesperadamente de recursos para não sangrar, a quilometragem conta.
"Na política real, você não entrega o volante de um caminhão carregado para quem só dirigiu em asfalto liso e dia de sol," provoca Loló. "Brasília é estrada esburacada e perigosa. Você quer no comando quem já passou pelo atoleiro, sentiu o solavanco e soube manter o carro na pista quando o motor ameaçou bater. Robinson conhece os buracos do trajeto."
A foto que selou o compromisso — unindo engenheiros como Max Guilherme, o professor Kekel e lideranças locais — sinaliza que o setor produtivo e técnico cansou de apostar no escuro. Eles escolheram a densidade política de quem já operou a Máquina sob pressão máxima.
Ao fim da conversa, fica o recado: quem busca um santo, que procure um altar. Quem busca resultados em um sistema bruto e complexo como o de Brasília, escolhe as cicatrizes.
Seja bem-vindo à Máquina.
Nota do Editor: Esta é a primeira de uma série de análises sobre os movimentos que estão reconfigurando o poder no RN. No asfalto, não há espaço para amadores. ⚙️





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