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Angicos,16/08/2026

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E Se Fosse Bolsonaro?

O "Hat-Trick" do Cinismo e a Régua Moral de Borracha


E Se Fosse Bolsonaro? Imagem Gerada por IA

A política tem uma regra não escrita que a imprensa tradicional segue como um dogma religioso: o peso de um escândalo não é medido pelo fato em si, mas pelo CPF de quem o comete. Quando a incompetência ou a brutalidade vestem vermelho, o sistema chama de "deslize", "falha técnica" ou simplesmente olha para o outro lado.

O governo federal e o casal Silva entregou um verdadeiro hat-trick (três gols na mesma partida) de absurdos. Dois escorregões aconteceram aqui, no asfalto quente do Rio Grande do Norte, e o terceiro direto de Brasília.

A Máquina propõe hoje um teste de sanidade mental. Para cada um dos fatos abaixo, feche os olhos por cinco segundos e pergunte a si mesmo: E se fosse Jair Bolsonaro?

1. RN: A Inauguração da Miragem e a Ponte de Sucata

Lula veio ao interior potiguar para inaugurar um trecho da transposição do Rio São Francisco. Câmeras a postos, discursos sobre "matar a sede do nordestino" lidos com emoção. Só faltou o detalhe principal: a água. Foi a materialização da vergonha alheia. Para piorar, descobriu-se que, em uma obra que já devorou bilhões dos cofres públicos, o governo improvisou pontes sobre o canal usando contêineres velhos de navio.

  • A Régua do Sistema: A imprensa tratou como um "atraso logístico" e os contêineres como uma "solução provisória". Ninguém questionou para onde foi o orçamento bilionário.

  • E se fosse Bolsonaro? O Jornal Nacional teria dedicado 15 minutos chamando o ex-presidente de "Genocida da Seca". A ponte de contêiner seria denunciada como "racismo estrutural contra o Nordeste" e um atentado à engenharia. A oposição estaria no STF pedindo o impeachment por colocar a vida dos sertanejos em risco sob toneladas de sucata.

2. RN: O Protocolo da Porrada no Gabinete Paralelo

No meio da agenda potiguar, uma deputada do PT foi agredida fisicamente por seguranças ligados à primeira-dama, Janja. Uma representante do povo, eleita democraticamente, sendo tratada na base da força física por capangas de quem não recebeu um único voto para ocupar cargo público.

  • A Régua do Sistema: O caso foi abafado com maestria. Notas discretas na imprensa falaram em "tumulto" e "rigor no protocolo de segurança". O Ministério das Mulheres repentinamente ficou sem internet.

  • E se fosse Bolsonaro? Se a segurança de Michelle Bolsonaro encostasse um dedo em uma deputada de oposição, a ONU seria notificada antes do almoço. A GloboNews passaria 48 horas ininterruptas debatendo o "fascismo", o "machismo estrutural" e o "atentado ao Estado Democrático de Direito".

3. Brasília: O Banquete Silvestre e o Terrorista de Baleias

Para fechar o hat-trick no cenário nacional, um vídeo vazou mostrando Lula e Janja se deliciando com um prato de paca, um animal silvestre cuja caça comercial é crime no Brasil.

  • A Régua do Sistema: Silêncio ensurdecedor das ONGs. Comentaristas relativizaram o banquete como "cultura popular" e "conexão com o Brasil profundo". Comer um animal silvestre virou apenas um traço charmoso de regionalismo.

  • E se fosse Bolsonaro? Lembra quando Bolsonaro andou de jet ski e a Polícia Federal abriu um inquérito oficial, mobilizando recursos do Estado, porque ele supostamente "importunou uma baleia jubarte"? Pois é. Se Bolsonaro comesse uma paca, Marina Silva desmaiaria ao vivo. O Ibama deflagraria uma operação com helicópteros, o Greenpeace penduraria faixas no Cristo Redentor chamando-o de "Açougueiro da Floresta" e o STF abriria o Inquérito dos Atos Antiecológicos. Importunar baleia é crime federal; devorar paca é "gastronomia de raiz".

O Veredito da Máquina

O exercício do "E se fosse Bolsonaro?" não serve para absolver os erros táticos ou morais da direita. Nós, que operamos com o pragmatismo da realidade, não somos fã-clube para passar pano para político algum.

A função desse raio-X é expor o cinismo do teatro. O sistema não odeia a incompetência técnica, a violência contra a mulher ou o crime ambiental. O sistema odeia apenas quem não divide o cofre com ele. O governo atual pode entregar canal seco, bater em deputada e comer animal silvestre na frente das câmeras com indulgência plena da mídia.

A água não chegou ao canal, mas o Brasil continua afogado em hipocrisia.




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